Quantas vezes ao ler um livro você teve vontade de conversar com o autor sobre a obra? Entender de onde veio aquela ideia. Saber como foi escolhido o título. Compreender qual situação levou àquela reflexão…

Você é nosso convidado para acompanhar, do conforto da sua casa, este incrível bate-papo entre Mario Sergio Cortella e Paulo Jebaili. Assista agora este exclusivo bate-papo para aprofundar o entendimento do tema.

Essa é uma oportunidade única de ampliar o conhecimento desta grande obra, recheada de estímulo e reflexões sobre vida, esperança, persistência e competência.’

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[…] “Ganbatte! Ganbatte!” Com essa expressão, os espectadores da Maratona de Fukuoka, no Japão, procuravam estimular a corredora Rei Iida a completar seu trecho na prova de revezamento. Era a edição de 2018 da prova, Rei Iida engatinhava na tentativa de entregar o bastão à companheira de equipe. Ela havia fraturado a perna quando faltavam pouco mais de 200 metros para concluir o seu trajeto. Sem conseguir ficar de pé, decidiu continuar apoiando-se nos joelhos e nas mãos. No asfalto, manchas de sangue dos joelhos ralados marcavam a trilha da atleta japonesa até o ponto de passagem…

[…] “Ganbatte! Ganbatte!” Com essa expressão, os espectadores da Maratona de Fukuoka, no Japão, procuravam estimular a corredora Rei Iida a completar seu trecho na prova de revezamento. Era a edição de 2018 da prova, Rei Iida engatinhava na tentativa de entregar o bastão à companheira de equipe. Ela havia fraturado a perna quando faltavam pouco mais de 200 metros para concluir o seu trajeto. Sem conseguir ficar de pé, decidiu continuar apoiando-se nos joelhos e nas mãos. No asfalto, manchas de sangue dos joelhos ralados marcavam a trilha da atleta japonesa até o ponto de passagem. 

No idioma japonês, ganbatte (com a variação ganbare) vem do verbo ganbaru, que significa fazer o seu melhor esforço, se esmerar no que está executando, suportar a dificuldade. Carrega também um desejo de “boa sorte”, de “bons ventos o levem”. Em primeira pessoa, pode ter a forma reflexiva ganbarimasu, expressão equivalente a “farei o meu melhor”.

Fosse pelo compromisso consigo mesma ou pelo desejo de honrar todo o seu esforço da preparação, fosse para não carregar a dor da desistência ou pelo comprometimento com uma causa que envolvia outras integrantes da equipe, Rei Iida fez o seu melhor na circunstância em que se encontrava. Considerou que ainda dava para percorrer um trecho de maratona mesmo sem a condição básica de usar o pé. 

Emblemático, esse episódio traz a percepção do “ainda dá” como uma atitude diante das dificuldades. Os incentivos da torcida podem ter contribuído para Rei Iida ter concluído seu trajeto, mas a missão foi cumprida sobretudo pela força interna da atleta japonesa. O “ainda dá” é aquele esforço a mais para alcançar uma condição melhor, para produzir um resultado mais satisfatório. É o jogador que vai na bola que parece perdida. É o escritor que busca a palavra precisa para tornar a ideia mais inteligível. É o ator ou a atriz que testa as inflexões possíveis até achar aquela que deixe sua personagem mais crível. É o cientista que não desiste após os primeiros experimentos falharem. 

A sensação de “dei o melhor de mim” é uma das mais vitalizantes da experiência humana. Especialmente pela paz de espírito que proporciona. Se atinjo a minha meta, me sinto recompensado pelo esforço feito. Se não obtenho o resultado esperado, ao menos tenho consciência de que não foi por falta de empenho.

Pode ser que circunstâncias tenham interferido,ou pode ser que eu não estivesse devidamente preparado

– o que aperfeiçoa a reflexão sobre as minhas condições atuais e, portanto, é algo positivo. O exercício de analisar virtudes e limitações é um caminho para o autoconhecimento. 

E, ao buscar equacionar esses pontos fortes e fracos, abre-se um caminho para o autodesenvolvimento. Se eu não tivesse dado aquele passo a mais, provavelmente eu perderia aquela oportunidade. Se a aproveitei e consegui meu intento, ótimo. Se identifiquei a oportunidade, mas os resultados não saíram como o esperado, pelo menos eu tentei. Fiz a escolha e dei o meu máximo na minha circunstância. Não deu? Posso analisar as variáveis e tomar como aprendizado para a próxima tentativa. De todo modo, é melhor do que não ter tentado e ficar na nostalgia do “ah, se eu tivesse feito…”. Ou do que carregar a sensação de que o medo do fracasso falou mais alto que o desejo de sucesso. 

Afinal, a consciência da covardia de si mesmo é muito incômoda, muito dolorida. Quando você, intimamente, se sabe covarde, convive com uma perturbação. Há decisões que podem gerar frustração, mas o peso é menor do que o arrependimento de ter desistido antes mesmo de tentar. 

É evidente que, em qualquer tomada de decisão, deve-se considerar a possibilidade de um passo que não seja bem-sucedido ou de um resultado que fique aquém da expectativa. Ainda assim, não dar o passo é a impossibilidade de prová-lo. Toda experimentação carrega alguma dose de perigo. Não é casual que as palavras “perigo”, “experimentar” e “perícia” tenham origem no antigo verbo latino periri. 

Ficar no meio do caminho é sempre desperdiçar uma possibilidade, o que leva àquela sensação da vida que acontece no futuro do pretérito, o território imaginário daquilo que não se concretizou: “eu poderia ter feito”, “eu deveria ter tentado”, “eu precisaria ter insistido”, “eu conseguiria, se…”, “eu chegaria, caso…”. 

Cada pessoa tem um limiar para lidar com o risco. Algumas não trocam o certo pelo duvidoso, mesmo que o certo não seja bom nem gratificante. De fato, ficar onde se está é sempre mais cômodo, mas comodidade nem sempre é indicativo de uma vida melhor. […]

OS AUTORES

Mario Sergio Cortella 
Filósofo e escritor, com mestrado e doutorado em Educação, professor-titular da PUC-SP (na qual atuou de 1977 a 2012), com docência e pesquisa na pós-graduação em Educação e também no Departamento de Teologia e Ciências da Religião. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991 – 1992), tendo antes sido Chefe de Gabinete do Prof. Paulo Freire. Comentarista da Rádio CBN com as colunas Academia CBN, No Meio do Caminho e Escola da Vida, é autor de mais de 40 livros. 

 

Paulo Jebaili
Jornalista, formado em Comunicação Social. Sua trajetória profissional percorre primordialmente três áreas: gestão (editor da revista Melhor – Gestão de pessoas, 1998-2004); educação (é editor do “Caderno Globo”, Globo Universidade, desde 2013) e esportes (editor colaborador da revista Placar, 2008-2015). Em 2007 começou a parceria com o professor e filósofo Mario Sergio Cortella, que resultou no livro “Qual é a Tua Obra?”. Desde então, atua como editor para o autor em livros Por que fazemos o que fazemos? e “A sorte segue a coragem”, até a coautoria deste “Ainda Dá”.

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